O Teatro da Política e a Falta de Respeito com a População
Rasgar um papel em plena sessão da Câmara pode chamar atenção, mas não fortalece a democracia. O plenário é lugar de debate, respeito e diálogo — não de encenação política. Mais contraditório ainda é cobrar que o prefeito dialogasse sobre o veto, quando o próprio vereador não buscou conversar antes sobre o projeto. Política séria se faz com articulação, não com espetáculo. Não existe coerência em exigir respeito sem respeitar. Nem em cobrar diálogo sem dialogar. A população espera representantes que resolvam problemas, e não protagonistas de cenas teatrais em busca de repercussão.
Há uma diferença enorme entre fazer oposição e transformar a política em espetáculo.
Rasgar um papel alusivo ao veto de um projeto de lei em plena sessão da Câmara Municipal pode até gerar manchetes e vídeos para redes sociais, mas não engrandece o debate público. Pelo contrário: demonstra falta de respeito com o ambiente institucional, com os colegas parlamentares e principalmente com a própria população que espera postura, equilíbrio e maturidade de seus representantes.
A democracia permite divergências. O vereador tem todo o direito de discordar de um veto do prefeito. O que não é aceitável é substituir argumentação por encenação.
Mais contraditório ainda é exigir publicamente que o prefeito “explique” o veto e reclamar da ausência de diálogo, quando o próprio vereador não buscou conversar previamente sobre o projeto. Política séria se faz com reunião, construção, negociação e responsabilidade institucional — não apenas diante das câmeras.
Não existe coerência em cobrar respeito sem também respeitar. Não existe coerência em exigir diálogo sem ter procurado dialogar. É o verdadeiro “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
O plenário da Câmara não pode virar palco para atos impulsivos destinados apenas a chamar atenção. O cidadão não elege representantes para performances teatrais. Elege para resolver problemas, defender ideias e construir soluções.
Quando o gesto vale mais do que o conteúdo, a política perde sua essência e passa a viver apenas de simbolismos vazios.
E a população percebe isso cada vez mais.





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